Ererê-CE, 30 de Julho de 2010
 
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  De:  JOEL PAIVA Cidade:  MANAUS-AM
  PANTALEÃO E O GUARÁ PRETO E O GUARÁ BRANCO-ESTÓRIA DE CHICO ANISIO: Os DADOS DERAM DOIS PARES DE SEIS, e Pantaleão fez o lance decisivo. Nunca tinha perdido no gamão, por que que iria perder hoje? Ainda mais quando seu adversário era um incompetente, porque era contra Pedro Bó que Pantaleão jogava, com o tabuleiro escorado nos dois pares de joelhos, aproveitando a brisa que parecia nascer do riacho e lavava o alpendre de um frescor maravilha. Dona Terta, na cozinha, temperava o feijão-de-corda cujo cheiro tomava conta de tudo. — Avia com esse feijão, Terta, que eu tou com a fome de cinco guarás. Pedro Bó cresceu os olhos. Abriu os lábios num sorriso grande e feliz. Parecia menino que vai receber presente, quando fez o pedido. — Seu Pantaleão, conte a estória do guará. Pantaleão irritou-se. Quase tomou por deboche o pedido que o afilhado lhe fazia. — Mas é cada uma! E onde já se viu, Pedro Bó, eu perder meu tempo contando estória pra ti? — Mas a estória é tão mimosa. É uma lindeza, a estória do guará. — Que é linda eu sei, mas quantas vezes tu já me viu contar essa estória? — Só umas trinta — confessou Pedro Bó. — E ainda quer ouvir de novo. Oh, Pedro Bó que eu não conheço nada que pareça com gente mais do que tu. Vai te assear que o jantar vai já pra mesa. Pedro Bó ia obedecer, quando a voz da professora chegou ao alpendre. — Pode-se entrar? Foi Pedro Bó quem correu a recebê-la, numa efusão de causar estranheza. Nunca partira dele tamanha gentileza. Mas o motivo não era exatamente a presença de Dona Julinha, era a chegada de uma visita. Com visita presente, Seu Pantaleão não poderia fugir ao pedido do afilhado. — Conte pra Dona Julinha, Seu Pantaleão, a estória do guará. A professora estranhou. Ela nem sabia o que era guará. — Guará — Pantaleão explicava — é um bicho maior do que um cachorro, mas porém mais pequeno do que um urso. Mas é mais feroz do que os dois juntos. Dona Julinha, um guará preto enfrenta cinco homem e nem é com ele. Tem o guará preto, como eu já disse, e tem o guará branco. Esse, então, é pior do que leão. É disso que Pedro Bó tá falando. A professora já recebia a canjica que Dona Terta trazia, ainda quente. Interessante, a estória deveria ser. E o mistério dos guarás preto e branco fazia crescer a sua curiosidade. — Conte, Seu Pantaleão. Eu quero ouvir essa estória do guará preto e do guará branco. Ela pediu de um jeito tão manso, com uma voz tão morna, com um olhar tão dengoso, que Pantaleão não teve jeito de não contar. — Pois bom! Era um domingo de manhã. O sol se espichava todo o sertão, esquentando as gentes e os bichos. Era um sol antigo, que há muitos meses aparecia sem faltar um dia sequer. Mas aos domingos era bem recebido. Pantaleão acordou de bom humor. Abriu a janela que dava para o nascente, respirou fundo, deu comida ao sabiá, limpou o chiqueiro, varreu o quintal. Apesar de farto, o sol não estava tão quente como sempre. Talvez porque fosse domingo. Isso tudo serviu para que Pantaleão tivesse a idéia: — Vou caçar! Dona Terta cuidou de botar no matulão duas rapaduras, meio quilo de farinha, um pedaço vistoso de carne-de-sol, o pão que sobrara do café da manhã. Dona Terta sabia que, quando Pantaleão Pereira Peixoto saía pra caçar, não tinha hora pra voltar. Mas de mãos abanando é que não chegava. Ela trouxe tudo, inclusive a espingarda. — Essa, não, Terta. Quero a espingarda de dois canos, porque vou caçar guará. Terta sabia da casa, da comida, do serzir de roupas. Terta conhece as manhas da Singer e do fogão. Mas de caçada quem sabe é o marido, que, inclusive, teve que explicar: — Tem que ser espingarda de dois canos, minha velha, porque o guará preto só morre com dois tiros, guará branco morre com um tiro só, mas vamos que eu ache no caminho um guará preto, que só morre com dois tiros? Tenho de dar um tiro, pei! e, antes que ele escape, dar o outro, pei. Não dá tempo de carregar a espingarda. Pantaleão foi no pasto, pegou o alazão, selou, despediu-se da mulher com um beijo de longe e ganhou o mato. Passa hora que passa hora e nada de aparecer um guará para satisfazer o desejo do homem. Veados e pacas, coelhos e tatus cansaram de atravessar seu caminho, mas Pantaleão não saíra de casa pra fazer caçada besta. Ele queria um guará. O sol começava a desaparecer. O escuro já se insinuava. E mais escuro ficava porque havia nuvens de chuva tomando conta do céu. Um raio cortou o espaço, anunciando o trovão que não se fez esperar. Pantaleão abrigou-se debaixo de um pé dejuazeiro. — Aí, moça, começou. Era cada pingo que era isso. — Pingo de chuva? — Não, Pedro Bó. Era tua mãe que tava num galho do juazeiro. . . e. . . Terta! Traga a palmatória que eu vou dar vinte bolos em Pedro Bó. — Não me açoite, não, Seu Pantaleão — pediu Pedro Bó, com os olhos cheios de lágrimas e com as mãos já estendidas para o castigo prometido. — Não lhe açoito por deferença à Dona Julinha. Mas de amanhã em diante vai ficar todo dia uma hora de cara para a parede, durante uma semana. Dona Julinha esperava a hora do guará aparecer na estória. Afinal, não lhe havia sido prometido nada diferente. Da chuva ela já sabia, mas. . . e o guará? — Eu chego lá. O céu fazia chover naquela tarde o que devia há muitos meses. A água descia encachoeirada pela encosta do morro, as poças cresciam pelo caminho. E já era noite. — Diabo! Saí pra caçar um guará e vou voltar seco. Será possível? Pantaleão estava irritado pela derrota. Não era comum isso acontecer nas suas saídas para a caça. Não era dos caçadores que voltam sem coisa boa para a panela. Masdesta vez tudo indicava que. . . — Espera! Ele afiou o olhar, tentando afastar os pingos da chuva que formavam uma cortina à sua frente. Estava escuro, mas deu pra ver aquele bicho preto, correndo. — Um guará preto. Deus me ajudou. Esse não me escapa. Cuidado, Pantaleão — disse para si — que o guará é preto, e guará preto só morre com dois tiros. E não podia errar. Falhar significava a morte, porque o bicho atacaria. Ele chegou a admitir que seria melhor que o guará fosse branco. Se o primeiro tiro falhasse, restaria o segundo, definitivo. A chuva caía pelos olhos, prejudicando a pontaria. O guará o viu no momento em que ele dormia na pontaria. — Pam! O tiro perdeu-se na distância. — Errei! Tô lascado. Só restava um tiro, e o guará partia na sua direção, ameaçador, mortífero. Pantaleão escondeu-se atrás do tronco de Juazeiro. A chuva era violenta. O guará, na corrida em que vinha, passou por ele. No momento em que o bicho passou, Pantaleão deu um pulo e gritou; "— Uhhh! — Pra que esse grito, Seu Pantaleão? — perguntou a professora. — Pra assustar o danado. O susto que ele tomou foi tão grande que ele ficou branquinho, Dona Julinha. Aí, quando ele ficou branco, eu pensei: "guará branco morre com um tiro só". Aí. . . pei. Bem na testa.
 

  De:  JOEL PAIVA Cidade:  MANAUS-AM
  PALAVRA DO DIA Tema: termos jurídicos DENÚNCIA Recentemente, começou-se a investigar um crime envolvendo um jogador de futebol devido a uma denúncia anônima. Denúncia, em sentido jurídico, é o ato pelo qual um membro do Ministério Público formaliza a acusação perante o tribunal, dando início à ação penal. >> Definição do iDicionário Aulete: (de.nún.ci:a) sf. 1. Ação ou resultado de denunciar; DENUNCIAÇÃO 2. Jur. Acusação verdadeira ou falsa que se faz a alguém por falta ou crime cometido; DENUNCIAÇÃO 3. Jur. Peça que inaugura ação penal, feita pelo Ministério Público; DENUNCIAÇÃO 4. Declaração a respeito de algo que se mantinha em segredo 5. Comunicação do término de um acordo, pacto, tratado etc. 6. Sinal, indício de algo que se encontra velado, encoberto ou sobre o qual nada se sabe: Sua amargura é uma denúncia dos dias difíceis que viveu. [F.: Dev. de denunciar. Hom./Par.: denúncia (sf.), denuncia (fl. denunciar).] Denúncia cheia 1 Jur. Solilcitação de rescisão de contrato de locação feita pelo locador, com base em infração do locatário. Denúncia vazia 1 Jur. Rescisão de contrato de locação por parte do locador sem necessidade de justificativa ou alegação de infração do locatário.
 

  De:  JOEL PAIVA Cidade:  MANAUS-AM
  PALAVRA DO DIA Tema: termos jurídicos AGRAVO Agravo é uma ofensa, um prejuízo sofrido por alguém. No vocabulário jurídico, é um recurso contra uma decisão tomada em uma instância inferior. >> Definição do iDicionário Aulete: (a. gra.vo) sm. 1. Ofensa a alguém; INJÚRIA 2. Perda, prejuízo ou dano sofrido 3. P.ext. Aumento da intensidade ou gravidade de um mal, de doença ou sintoma; AGRAVAMENTO 4. Jur. Recurso a uma instância superior contra decisão interlocutória de juiz ou membro de tribunal inferior [F.: Dev. de agravar. Hom./Par.: agravo (sm.), agravo (fl. de agravar)] Agravo de instrumento 1 Jur. Recurso das decisões de um processo. Agravo de petição 1 Jur. Recurso das decisões de um juiz trabalhista, durante o processo. Agravo retido 1 Jur. Recurso interposto num processo, que é julgado antes do recurso principal.
 

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  PALAVRA DO DIA Tema: termos jurídicos EMBARGO Embargo é uma ação de empecilho, isto é, um recurso jurídico para impedir a conquista de algum direito. É uma contestação a uma definição anterior. >> Definição do iDicionário Aulete: (em.bar.go) sm. 1. Qualquer coisa que represente um obstáculo; EMPECILHO; IMPEDIMENTO [+ a : embargo à presença de menores.] 2. Jur. Instituto jurídico que trata de impedir a conquista de algum direito 3. Jur. Ver arresto [F.: Dev. de embargar. Hom./Par.: embargo (fl. de embargar)] Embargo de terceiro 1 Jur. Ação defensiva de pessoa não envolvida em um processo, por se julgar prejudicada por atos deste consequentes, como apreensão de bens, ou sua penhora, sequestro etc. Sem embargo 1 Não obstante; entretanto.
 

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  PALAVRA DO DIA Tema: termos jurídicos. HOMICÍDIO Homicídio ou assassinato é o ato de matar alguém. Quando não há intenção criminosa, chama-se homicídio culposo. Quando há intenção, é chamado homicídio doloso. >> Definição do iDicionário Aulete: (ho.mi.cí.di:o) sm. 1. Ação que consiste em tirar a vida de outrem; ASSASSINATO [F.: Do lat. homicidium.] Homicídio culposo 1 Jur. O que não teve intenção criminosa, sendo antes fruto de ação negligente, imprudente, desastrada. Homicídio doloso 1 Jur. O que é intencional no planejamento e/ou na execução. Homicídio qualificado 1 Jur. Aquele no qual ocorrem circunstâncias agravantes, como premeditação, crueldade etc.
 

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  Resumo da semana: gentílicos (adjetivos) referentes a países. LUSO (05/07/2010) Lusitânia era uma região na Península Ibérica, cujo território corresponde em grande parte ao território atual de Portugual. Assim, os adjetivos luso e lusitano são usados para se referir à antiga Lusitânia, e também a quem nasce em Portugal. Ou seja, é um sinônimo para “português”. NEERLANDÊS (06/07/2010) Neerlandês é o adjetivo que se refere à Holanda (também conhecida como Países Baixos) e seu povo. Pode ser também a língua falada no referido país. Uma palavra mais usada com o mesmo significado é “holandês”. NIPÔNICO (07/07/2010) Nipônico advém do topônimo japonês Nippon, que significa “Japão”. Desse modo, designa aquilo que é típico desse país (filme nipônico, comida nipônica), além de pessoas que nascem ou vivem no Japão. Nipônico tem o mesmo sentido de “japonês”. GALÊS (08/07/2010) Galês se refere a quem nasce ou vive no País de Gales e à língua falada nesse país. GÁLICO (09/07/2010) Gália é um antigo país da região que atualmente corresponde ao território da França. Por extensão de sentido, então, gálico e gaulês são adjetivos refentes à França. Isto é, sinônimos para “francês”. HELENO (10/07/2010) Com origem no grego clássico, esse gentílico se refere aos helenos, habitantes da região de parte do atual território da Grécia, que deram origem ao povo grego. Por isso, heleno designa pessoa nascida na Grécia, assim como aquilo que é típico desse país. www.aulete.com.br
 

  De:  JOEL PAIVA Cidade:  MANAUS-AM
  PALAVRA DO DIA Tema da semana: gentílicos (adjetivos) referentes a países. LUSO Lusitânia era uma região na Península Ibérica, cujo território corresponde em grande parte ao território atual de Portugual. Assim, os adjetivos luso e lusitano são usados para se referir à antiga Lusitânia, e também a quem nasce em Portugal. Ou seja, é um sinônimo para “português”. Ex.: A seleção lusa foi eliminada nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2010. >> Definição do iDicionário Aulete: (lu.so) a.sm. 1. O mesmo que lusitano; PORTUGUÊS [F.: Do antr. lat. Lusus]
 

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  PALAVRA DO DIA Tema da semana: gentílicos (adjetivos) referentes a países. NEERLANDÊS Neerlandês é o adjetivo que se refere à Holanda (também conhecida como Países Baixos) e seu povo. Pode ser também a língua falada no referido país. Uma palavra mais usada com o mesmo significado é “holandês”. Ex.: O jogador neerlandês Arjen Robben é considerado pela mídia um dos craques do futebol mundial. >> Definição do iDicionário Aulete: (ne.er.lan.dês) a. 1. Ref. aos Países Baixos ou ao seu povo; HOLANDÊS 2. Dos Países Baixos, típico desse país ou de seu povo: "... ombreando também com o louro olhiazul, pássaro de outras ninhagens, tributo neerlandês, pago ao Nordeste..." (Guimarães Rosa, "Pé-duro, chapéu-de-couro", in Ave, palavra.) sm. 3. Ling. Língua falada nos Países Baixos, o mesmo que holandês [Cf. flamengo.] [F.: do fr. néerlandais. Sin. ger: holandês]
 

  De:  JOEL PAIVA Cidade:  MANAUS-AM
  PALAVRA DO DIA Tema da semana: gentílicos (adjetivos) referentes a países. NIPÔNICO Nipônico advém do topônimo japonês Nippon, que significa “Japão”. Desse modo, designa aquilo que é típico desse país (filme nipônico, comida nipônica), além de pessoas que nascem ou vivem no Japão. Nipônico tem o mesmo sentido de “japonês”. Ex.: A seleção nipônica foi comandada por Zico na Copa de 2006. >> Definição do iDicionário Aulete: (ni.pô.ni.co) sm. 1. Pessoa nascida ou que vive no Japão (Ásia) a. 2. Do Japão; típico desse país ou de seu povo. [F.: Do top. jap. Nippon + -ico. Sin. ger.: japonês.]
 

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  PALAVRA DO DIA Tema da semana: ecologia. BIOCENOSE Biocenose é uma comunidade composta por animais e vegetais que convivem em uma determinada área alimentar, de modo dinâmico e estável, desenvolvendo vários modos de relacionamento entre si. >> Definição do iDicionário Aulete: (bi:o.ce.no.se) sf. 1. Ecol. Conjunto de populações de vegetais e animais existentes numa determinada área, convivendo num espaço comum e mantendo diversos graus de relacionamento entre si; COMUNIDADE [F.: Do gr. koinós,é,ón, pelo fr. biocénose.]
 


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